Os homens que amam demais são aqueles que rapidamente te dizem que és a mulher da vida deles. Dizem-te que não podem viver sem ti. Dizem que és o melhor que lhes aconteceu. O love bombing no seu melhor.
Mas, muito rapidamente, percebes que te querem só para eles. Começam a pedir-te justificações sobre os teus amigos, querem saber tudo sobre as tuas relações, fazem-te questionários pormenorizados sobre a tua vida passada e sobre a tua vida presente – sobre cada minuto da tua vida quando não estás com eles.
Os homens que amam demais, para garantir que têm a tua total exclusividade (de atenção, de tempo, de vida), começam a criticar os teus comportamentos, começam a criticar o que fazes, o que vestes, o que dizes.
Dizem-te que é porque te amam tanto que querem que sejas perfeita, que não querem que pareças algo que não queres parecer. Os homens que amam demais querem-te em exclusividade, a toda a hora. Querem que atendas o telefone sempre que te ligam, mesmo que estejas numa reunião ou num almoço com amigas, querem que respondas a um whatsapp no imediato, porque se os amasses tanto quanto eles te amam estarias sempre disponível. Os homens que amam demais não percebem que a outra pessoa não é uma propriedade, não percebem que o amor não é uma prisão, não percebem que uma relação só faz sentido na liberdade e na confiança. Os homens que amam demais acham que são machos alfa mas não passam de meninos inseguros que não ponderam sequer que a outra pessoa tenha uma vida. Os homens que amam demais odeiam as mulheres – fazendo-lhes crer que o amor é assim: castrador, exclusivo, limitador, sofredor. Amor flui, constrói e realiza, amor ajuda a crescer, a florescer. A receita é fácil: se amas a pessoa certa, ela faz com que (também) te ames a ti próprio (cada vez mais). Qualquer outra coisa… é qualquer outra coisa que não é amor.
25/11 – Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra as Mulheres



